Lançando uma revolução no acesso a ferramentas científicas

Mais de 100 pesquisadores, engenheiros, educadores e empresários que fazem parte de uma comunidade global de pesquisa publicaram um relatório descrevendo os passos necessários para se alcançar um acesso global ao hardware para fins científicos até 2025, através de design aberto, pesquisa colaborativa e novas técnicas de fabricação, incluindo impressora 3D.

O grupo, que se reuniu no CERN em Genebra e na Pontifícia Universidade Católica do Chile em Santiago em 2017, argumenta que poucas pessoas têm acesso às ferramentas necessárias para produzir ciência, particularmente pesquisadores em países em desenvolvimento e comunidades que desejam reunir e analisar dados sobre o seu próprio ambiente.

De microscópios a microfluídicos e estações de monitoramento de água, esses dispositivos fazem parte de um movimento crescente de compartilhamento on-line de projetos de hardware aberto, que qualquer pessoa pode usar, modificar e até mesmo comercializar livremente. Isso poderia reduzir drasticamente os custos da pesquisa, permitindo que as pessoas possam colaborar e aprender de novas maneiras.

Os autores do Global Open Science Hardware Roadmap descrevem os passos que consideram necessários para ajudar essa comunidade a avançar, incluindo maior apoio institucional de universidades, financiadores e governos que muitas vezes preferem que os inventores registrem seus hardwares sob patente.  

O relatório também aborda a necessidade de garantir controle de qualidade e padrões de conformidade, particularmente para ajudar a reprodutibilidade da ciência, que tem sido uma grande preocupação nos recentes anos. Licenciamento, documentação de alta qualidade e os aspectos social e ético do trabalho científico também são considerados.

Comunidades que utilizam e desenvolvem hardware aberto são mais amplas do que se poderia imaginar. O relatório apresenta projetos acadêmicos como "White Rabbit", uma tecnologia de hardware aberto desenvolvida no CERN que tem o difícil trabalho de garantir a precisão de nanossegundos nas transferências de dados do acelerador de partículas Large Hadron Collider (LHC) e no OpenFlexure Scope, um microscópio criado por impressão 3D com uma câmera de baixo custo Raspberry Pi que recentemente recebeu financiamento do governo britânico através do "Grand Challenges Research Fund".

O hardware de ciência aberta também é construído e usado pelo público em projetos científicos comunitários: a Rede InfoAmazonia atua em uma rede de comunidades brasileiras para construir sensores de qualidade de água potável e enviar alertas de contaminação via SMS, enquanto projetos como EnviroMap e UTBiome mapeiam ecologia microbiana e dados ambientais com comunidades locais em Austin, Texas. O Public Lab, uma organização sem fins lucrativos dos EUA, convocou cidadãos para mapear o derramamento de óleo em águas profundas na tragédia do Golfo do México em 2010, e continua a trabalhar com as comunidades locais em torno do mundo que são afetados pela poluição industrial, usando kits de código aberto e de baixo custo que são aperfeiçoados por voluntários.

Existem esforços contínuos para espalhar os benefícios do hardware aberto globalmente. A TReND Africa, por exemplo, conduziu workshops que ensinaram mais de 24 cientistas africanos a construir suas próprias impressoras 3D e equipamentos de laboratório por até 1% do custo de alternativas comerciais, que puderam assim ganhar maior  controle sobre a forma como projetam seus experimentos. A atividade na África deve aumentar com a primeira Cúpula de Ciência Aberta e Hardware da África que terá lugar em Gana em abril de 2018. “O hardware para ciência aberta é uma ferramenta poderosa para reduzir o fosso entre a teoria e prática no ensino médio africano, mas devemos ter cuidado com o neocolonialismo conduzido pela tecnologia”, reflete o co-organizador do evento e autor do documento Thomas Herve Mboa Nkoudou, presidente da Associação para a Promoção da Ciência Aberta no Haiti e África (APSOHA).

 Ao lançar este chamado em busca de apoio, o grupo planeja continuar a ampliar sua comunidade e o alcance da distribuição de hardware aberto através do Encontro Hardware Científico Aberto 2018 (GOSH - Gathering for Open Science Hardware) que será realizado em Shenzhen, na China, que faz parte da rede de Cidades Criativas da UNESCO e tem sido descrita como o “Silicon Valley” do hardware.

Para mais informações, entre em contato com Shannon Dosemagen, Luis Felipe Murillo, Jenny Molloy e Rafael Peretti Pezzi através do e-mail roadmap@openhardware.science.

O Roteiro GOSH está disponível em: http://openhardware.science/global-open-science-hardware-roadmap

Tradução livre e resumida do release em inglês.

 

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