Tecnologia, ativismo e feminismo

Por Bia Martins

Pelo Brasil e pelo mundo, diversas iniciativas têm buscado a articulação entre tecnologia, ativismo e feminismo. Por um lado, procuram criar espaços nos quais as mulheres possam aprender e desenvolver tecnologia sem precisar lidar com as sutis barreiras de gênero geralmente presentes nos ambientes de Tecnologia da Informação. Por outro, propagam informações estratégicas para a proteção e o autocuidado em relação aos riscos inerentes no uso de dispositivos digitais, como o roubo de dados pessoais e a invasão de privacidade, que são ainda mais críticos no caso desse público. 

Safermanas

Recentemente a Coding Rights, organização internacional que trabalha na defesa dos direitos digitais, lançou a campanha Safermanas, uma série de gifs roteirizados com dicas de segurança digital para mulheres e pessoas de sexo não-binário. Em três idiomas - português, espanhol e inglês - os gifs informam, entre outras coisas, qual aplicativo de bate-papo tem criptografia segura e como manter senhas protegidas. No prelo, dicas sobre como proteger nudes, que cuidados tomar com os dados de localização para evitar stalkers e como escolher aplicativos para acompanhar o ciclo menstrual sem vazar seus dados para terceiros. Para conhecer a campanha, baixar e compartilhar os gifs (como esse aí de cima), clique aqui. 

Já a coletiva hacker feminista MariaLab tem como proposta oferecer um espaço de acolhimento, diversidade e troca através de tecnologias por uma perspectiva feminista. Em sua sede, no bairro do Bixiga na cidade de São Paulo, são promovidas diversas oficinas e rodas de conversa com temas que relacionam tecnologia e feminismo. Todas as atividades são exclusivas para mulheres (cis e trans) e todo o material é em formato aberto. Durante os meses de junho a agosto, serão realizados três cursos que abordam a questão da segurança e autonomia no meio digital por diferentes ângulos: a construção de redes autônomas, o uso seguro do celular e as estratégias para criação de identidades no meio digital. Os cursos são promovidos em parceria com a Vedetas, uma servidora feminista criada por algumas integrantes do MariaLab com a proposta de ajudar grupos feministas nas suas atividades on-line e aumentar a segurança e autonomia de mulheres na internet. A iniciativa oferece alguns serviços alternativos, como a hospedagem de pads, documentos de texto que podem ser editados online colaborativamente, e calcs, planilhas também editáveis de forma distribuída. 

E pelo mundo afora são vários os coletivos e projetos que seguem a mesma linha de atuação. Na América Latina o destaque é para a organização Ciberseguras que reúne coletivos ciberfeministas de vários países: Clandestina (Brasil), Ciberfeministas GT (Guatemala), Derechos Digitales (Chile-México), Dominemos la tecnología - APC, Luchadoras (México), Nodo Común (Bolivia), SocialTIC (México). Além de material com informação para o autocuidado e a segurança on-line disponível no site, elas desenvolveram um aplicativo que agrega posts sobre diversos temas relacionados a direito digital e segurança produzidos por várias iniciativas ciberfeministas de todo o mundo. 

Assim, com autonomia e criatividade, as ciberfeministas constroem espaços de resistência, autocuidado e inclusão através da comunicação em rede, inventando e propagando novas formas de apropriação tecnológica em uma perspectiva feminista que possam, como afirma Loreto Bravo, descolonizar relações de poder que existem em torno das tecnologias e, dessa forma, ajudar a avançar nas questões de igualdade de gênero.

Para quem se interessar em saber mais sobre iniciativas feministas ciberativistas, o BaixaCultura produziu uma boa compilação que pode ser conferida aqui.

 

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