Vidas entregues

Se no caso do Uber fala-se em Economia do Compartilhamento, para tentar passar uma ideia de algum tipo de partilha que na realidade não existe, no caso do UberEats, Rappi e iFood, a ideia é alegar um espírito empreendedor de trabalhadores que querem ter autonomia para gerir seu próprio tempo de trabalho.

Duas falácias, muito mal construídas, que cada vez mais vão se desmontando e se revelando sinônimos de uma grande precarização do trabalho. Trabalhadores que muitas vezes alugam carros e bicicletas para poderem atender aos chamados de aplicativos, submetidos a crueis jogos para produzir mais (chamados de gamificação do trabalho) e, no caso da Uber, deixando cerca de 1/3 da corrida para a empresa, e no caso dos aplicativos de entrega de comida, ganhando quantias irrisórias por cada corrida.

O curta-metragem documentário de Renato Prata Biar traz um retrato dramático da rotina dos entregadores de aplicativo de comida na cidade do Rio de Janeiro, através do relato de três trabalhadores que falam da dificuldade de conseguir levar algum dinheiro para casa, da falta de direitos e, até mesmo, de perspectiva de futuro. Vale assistir e divulgar.

PS - Este post está aqui na sessão P2P como uma crítica à uberização do trabalho. Evidentemente não é um caso de Economia P2P. Falamos sobre o contraste entre a chamada Economia do Compartilhamento e o Cooperativismo de Plataforma, um modelo P2P, aqui.

 

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