Quem somos

EM REDE é um espaço para reflexão e discussão de temas como Cultura Livre, Remix, Ciência Aberta, Economia P2P, Política em Rede e outros assuntos relacionados a novas formas de organização das instituições e circulação de bens intelectuais, que tem a ver com os tempos atuais das redes telemáticas. 

A comunicação em rede vem transformando quase tudo à nossa volta: nossas relações pessoais mediadas por plataformas sociais; as formas de protestar e fazer política, conectados em mobilizações que começam nas redes e chegam às ruas; o acesso aberto cada vez maior às informações e ao conhecimento etc etc.

E uma das maiores mudanças que estamos assistindo é na expansão da produção colaborativa. Se sempre foi possível fazer coisas em conjunto, hoje isso alcançou a amplitude dos nós da rede. Existindo a disposição para um projeto, seus parceiros estão virtualmente ao seu alcance, bastando lançar uma garrafa/mensagem ao mar/rede. Foi exatamente assim que começou uma das maiores produções colaborativas da atualidade: o sistema operacional Linux, feito por milhares de programadores voluntários de todos os cantos do mundo. Na verdade, foi bem mais do que o desenvolvimento de um software, foi a invenção de um novo modelo de produção e de trabalho.

Porém, com o tempo, a produção colaborativa em rede começou a apresentar alguns desdobramentos problemáticos. Se há coisa de 10 anos atrás era uma novidade celebrada e insuflava o debate pelo direito ao livre compartilhamento da cultura e do conhecimento, para que mais gente pudesse criar e colaborar, hoje passamos a disputar também, em outro nível, o próprio sentido da palavra colaboração.

Não que a batalha pelo acesso aos bens intelectuais tenha arrefecido, muito pelo contrário, como provam os avanços nos acordos internacionais restritivos, como o Tratado Transpacífico (TTP) e, em nível nacional, retrocessos como a CPI dos Crimes Cibernéticos, que pode fazer estragos significativos nas conquistas estabelecidas pelo Marco Civil da Internet. 

No entanto, de uma forma menos evidente ou mais sutil, a noção de colaboração vem sendo apropriada por iniciativas distantes da ideia de uma ação entre pares com o objetivo de gerar um bem comum. Veja-se, por exemplo, a tal economia do compartilhamento que ocupa as manchetes dos jornais e nada tem a ver com partilha de recursos, mas sim com novas formas de acumulação capitalista feita agora em rede distribuída, como Airbnb e Uber.

Por outro lado, o amplo e livre acesso à rede vem sendo ameaçado, tanto pela proposta de limitação de dados no pacote de banda fixa, agora em discussão no País, como com a iniciativa Internet.org, de Mark Zuckerberg, que pretende tornar gratuito o acesso aos jardins murados do Facebook, em acordos com as operadoras, o que rompe o conceito da neutralidade da rede, estabelecido em lei.

Enfim, são muitas as questões que hoje perpassam aquilo que é próprio da cibercultura: a interação; a produção colaborativa; o compartilhamento; o comum digital. O que deve ser considerado é não só como produzir entre pares, mas, especialmente, como assegurar que a produção colaborativa se mantenha como um patrimônio comum.  E isso inclui estratégias para garantir que a rede continue sendo território livre e neutro, aberto a todas as pessoas e a todos os projetos inovadores.

A proposta é que este espaço seja ocupado por todos os que tenham interesse nesse debate e vontade de trocar ideias. Fica o convite para pesquisadores, ativistas e cidadãos comuns que queiram entrar na roda e contribuir, com comentários, sugestões ou posts (vale textos, imagens, vídeos etc.), para irmos levando essa conversa. Seja bem-vindo!