Não é de hoje que pesquisadores apontam para os vieses presentes nos projetos da Wikimedia. O problema principal é que, embora tenham a característica de serem abertos e colaborativos, na prática são editados majoritariamente por homens brancos que moram nos EUA ou na Europa, o que faz com que sua visão de mundo prevaleça e a proposta de ser uma representação do conhecimento coletivo acabe distorcida. Tendo em vista essa questão, a Wiki Movimento Brasil em parceria com o Instituto Goethe promoveu na semana passada o debate "Rumo a uma Wki Decolonial", como parte do evento Transbordados, que é um preparativo para a conferência internacional WikidataCon 2021 que será realizada no final de outubro. O Wikidata é um banco de dados secundário, livre, colaborativo e multilíngue que coleta dados estruturados que servem de suporte aos projetos da Wikimedia e está aberto para consulta e edição por qualquer pessoa.

A Señoritas Courier, uma das cooperativas de entregadores criadas como alternativa ao modelo de trabalho precarizado de plataformas como Uber Eats e iFood (já falamos dela aqui), acaba de ganhar um curta-metragem produzido pelo Laboratório de Pesquisa DigiLabour.

Quando se fala atualmente em economia peer-to-peer ou economia do comum, geralmente as referências são de exemplos bem recentes e em sua maioria internacionais, como é o caso das iniciativas do Cooperativismo de Plataforma, do qual falamos aqui. Porém, o Brasil tem já ampla experiência em uma vertente da economia do comum que merece ser mais conhecida: a economia solidária. Essa prática surge na Inglaterra no século XIX, vem para o Brasil no século XX, tendo maior desenvolvimento a partir da década de 1980. De 2003 a 2016, houve inclusive uma política nacional coordenada por Paul Singer, que foi Secretário Nacional de Economia Solidária durante os governos do PT.

Num mundo em que a tecnologia é vista como uma grande caixa-preta, indecifrável e perigosa, com grandes plataformas que monitoram e processam nossos dados pessoais sem sabermos bem como ou para quê, como pensar em tecnologias convivialistas? Que outra forma de pensar e produzir a tecnologia pode nos fazer vislumbrar parcerias, colaborações, troca de conhecimento e busca por soluções coletivas para problemas comuns? Esse foi o mote do encontro Conviviações Por tecnologias convivialistas – sobre hackerspaces e tecnologias livres realizado dia 13 de abril com a participação de Ka Menezes, professora da UFBA e integrante do Raul Hacker Club, em Salvador (BA), e Leonardo Foletto, jornalista, professor e pesquisador de tecnologia e ativismo, que desde 2008 está à frente do BaixaCultura espaço online de cultura livre e (contra) cultura digital.

Frente ao esgotamento das grandes ideologias da modernidade – socialismo, comunismo, anarquismo e liberalismo – novos pensamentos e práticas vêm surgindo, ou vêm sendo recuperados, como propostas para a construção de novos mundos. Neste post vou trazer uma síntese de um diálogo promovido recentemente entre dois desses pensamentos: o Convivialismo e o Comum.

DisCO Project é uma iniciativa dentro do conceito de Cooperativismo de Plataforma, mas que vai além ao agregar também os princípios do comum, das práticas P2P e da economia feminista. Com inspiração no pensamento de autores como David Graeber (Bullshit Jobs) e Donna Haraway (Staying with the Trouble),  e a partir da experiência de alguns projetos já ativos, foi construída uma plataforma de recursos, conceituais e práticos, para incentivar a propagação desse movimento.

Aqui no Em Rede já escrevemos sobre várias tecnologias livres que são alternativas às plataformas corporativas. Desta vez, vamos abordar o PeerTube, uma plataforma livre para vídeos, descentralizada e gratuita, que tem cerca de 60 mil usuários e 400 mil vídeos publicados que já foram vistos mais de 15 milhões de vezes.

No mês passado, acompanhamos o Breque dos Apps, com dois dias de paralisação nacional dos entregadores de aplicativo (1º e 25 de julho) que, se não chegaram a parar o serviço no país, ficaram longe de ser fiasco, pois além de causarem atrasos nas entregas, deram  visibilidade para a extrema exploração a que estão submetidos esses trabalhadores, ajudando a desmistificar de vez a imagem da tal Economia do Compartilhamento como uma alternativa de trabalho autônomo. A boa notícia, além claro do surgimento do movimento dos Entregadores Antifascistas, é que também ganharam visibilidade diversas iniciativas de entregadores que estão se autoorganizando para oferecer o serviço diretamente para os consumidores, sem intermediários, podendo assim garantir melhores condições de trabalho e remuneração mais digna.

Makerspaces e hackerspaces têm tido atuação importante no enfrentamento cidadão da pandemia, especialmente na produção dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para distribuição a profissionais de saúde. Esses espaços são também adeptos e propagadores das tecnologias abertas que têm papel estratégico para a inovação, ainda mais em momentos de crise como agora. Para conversar sobre esses temas, a plataforma Segura a Onda, com apoio do Instituto Procomum, promoveu na última sexta-feira, 26 de junho, a live Makers e hackers no combate à pandemia, com os convidados Nano Gennari, do Calango Hacker Clube de Brasília, Guima San, do GypsyLab, e Edgar Andrade, do FabLab Recife e do Canal Maker, com mediação de Bia Martins e Luis Eduardo Tavares, ambos do Segura a Onda.

Por Bia Martins

Para quem gosta de ler, nada melhor do que explorar uma biblioteca em busca de leituras interessantes. Mas, em tempos de confinamento, isso fica bem mais complicado.

Ao mesmo tempo, a quarentena também tem se mostrado um período muito profícuo em trocas e partilhas de recursos, tanto online como offline, a fim de enfrentarmos juntos as dificuldades geradas pela pandemia.

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