Com a Resolução 4958/2018, assinada em 17 de agosto, o governo argentino reconhece e regulamenta as redes comunitárias naquele país, a fim de estimular sua expansão em áreas rurais e remotas ou em setores socialmente vulneráveis. No entanto, ao mesmo tempo em que oferece incentivo, como a isenção da cobrança da taxa regular de serviço de acesso à Internet, traz restrições problemáticas para o florescimento dessas redes.

Isso que seguimos chamando “economia colaborativa” se diversificou tanto que hoje custa pensá-la como um só movimento. Enquanto o capitalismo de plataforma cria novas formas de exploração “sem patrão”, crescem as ferramentas que ajudam a se organizar e redescobrir o valor do associativismo. E tudo isso ocorre simultaneamente, às vezes até pelos mesmos canais. Como aproveitar as tecnologias a nosso favor, usar os dados de maneira ética e potencializar a inteligência coletiva para o bem?

Para muitas pessoas a Gig Economy significa flexibilidade e autonomia, para outras precarização e insegurança. Avanço ou retrocesso, o fato é que a Economia dos Bicos, caracterizada pela oferta de serviços através de plataformas digitais, não para de crescer. Diariamente uma multidão de pessoas participa de uma grande disputa digital pelo próximo trabalho informal. Por outro lado, muitas são as pessoas que tem tentado mostrar que a autonomia traz ainda mais força quando vem acompanhada de interdependência. Coletivos como Enspiral e Coliga, que decidiram compartilhar suas redes e recursos em benefício do grupo são bons exemplos disso. 

Não só espaços para a exploração criativa da tecnologia, mas também espaços de convivência, de estar junto para trocar ideias, e até mesmo, em alguns casos, buscar formas de intervir na realidade local. Assim podem ser definidos os hackerspaces brasileiros pelo quadro levantado em pesquisa recente que realizei junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, vinculado ao IBICT e à UFRJ.

Já imaginou uma tecnologia que pudesse garantir a confiabilidade a todo tipo de transação sem precisar da intermediação de terceiros? Empréstimos sem a necessidade de bancos, contratos sem a mediação de cartórios, registro de identidade sem o controle de governos ou corporações, e até mesmo recursos financeiros sem um banco central regulando sua circulação? Pois essa tecnologia já existe e começa a ser explorada nas mais diversas áreas em todo o mundo: o blockchain.

A fim de explorar, mapear e sondar criticamente a política, o funcionamento interno e a governança de experiências de economia digital alternativa, foi lançado em 2013 o projeto MoneyLab, vinculado ao Institute of Network Cultures, sediado em Amsterdã. Conheça alguns casos estudados, como a Robin Hood Cooperative e o FreeCoin.

Na pequena cidade de Itu, no interior de São Paulo, um espaço de troca e convivência agrega uma série de iniciativas, em diversas áreas, que têm em comum o fato de não se encaixar nas vias institucionais oferecidas pelo governo ou pelo mercado. Ativa desde 2015, a Baia Hacker Space é apoiada pela Ong Caminho das Águas e ocupa duas salas numa incubadora da Prefeitura local, conectando ideias, projetos e pessoas de Itu e arredores. Desde o ano passado, estendeu seu raio de atuação também para a área rural, com o projeto Porto Rural na Colônia de Capoava, no município vizinho de Porto Feliz.

Atire a primeira pedra quem nunca consultou a Wikipédia para tirar uma dúvida ou saber mais sobre determinado assunto. Mesmo assim, não são poucos os que torcem o nariz ao saberem que a publicação pode ser editada literalmente por qualquer pessoa. Então, como pode uma obra assim, totalmente aberta a modificações por leigos, oferecer um conteúdo de boa qualidade ao menos como uma primeira fonte de consulta?

Quem acompanha as notícias sobre inovações no modelo DIY, Do It Yourself ou Faça Você Mesmo, certamente já ouviu falar em Arduino, uma plataforma para prototipagem eletrônica em hardware e software abertos. Criada em 2005 pelo Interaction Design Institute Ivrea, na Itália, como uma ferramenta básica e barata para fins educacionais, a plataforma representa um grande avanço na direção da democratização da tecnologia ao possibilitar que pessoas comuns criem inovações que podem impactar positivamente em seu dia a dia.

Para fazer frente ao protecionismo comercial das grandes plataformas de mapeamento e favorecer um registro mais inclusivo, foi criado o projeto aberto e colaborativo de geolocalização OpenStreetMap (OSM). Lançado em 2004 pelo britânico Steve Coast, a iniciativa tem sido chamada de Wikipédia dos Mapas, pois seus dados são registrados de forma colaborativa por qualquer pessoa que queira participar.

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